terça-feira, 2 de maio de 2017

CPT/AL manifesta solidariedade aos indígenas Gamela (MA)


A Comissão Pastoral da Terra de Alagoas manifesta toda sua solidariedade ao povo Gamela, em luta pela retomada de seu território, e repudia veementemente a ação dos fazendeiros do Maranhão. Estes, fortalecidos pelo discurso de ódio aos indígenas do deputado federal Aluísio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA), atentaram contra a vida dos indígenas no dia 30 de abril.

A ação violenta dos latifundiários deixou 13  feridos e é uma agressão contra todos os brasileiros e seus povos originários. Aldeli Ribeiro Gamela, José Ribeiro Gamela e o agente da CPT do Maranhã, Inaldo Gamela, ainda estão internados em estado grave no hospital de São Luís.

O nível de crueldade dos jagunços foi tanta que não apenas atiraram contra os indígenas, mas acertam na cabeça, rosto, peito e coluna. Além disso, chegou decepar as mãos e cortas os joelhos de Aldeli.

A CPT/AL, que em sua última assembleia estadual teve a honra de receber o agente pastoral Inaldo Gamela, manifesta-se contra esse crime e lutará para que ele não fique impune.

Confira a Nota oficial sobre o caso da CPT do Maranhã:

Povo Gamela sofre ataque premeditado de fazendeiros contra suas vidas e lutas

A Comissão Pastoral da Terra Regional Maranhão (CPT-MA) vem a público denunciar mais um ato brutal de violência contra a vida dos povos da terra, que desta vez atinge os indígenas Gamela, organizado em seu território no Povoado de Bahias, município de Viana, Maranhão.


Na tarde deste domingo, 30 de abril, o povo Gamela sofreu um grave ataque contra suas vidas e sua luta em defesa de seu Território. Nesta ação, mais de 10 indígenas foram feridos, entre quais, três estão internados em estado grave em Hospital de São Luís. Aldeli Ribeiro Gamela foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, e teve mãos decepadas e joelhos cortados. O irmão dele, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito. O terceiro foi o indígena e agente da CPT/MA Inaldo Gamela, atingido com tiros na cabeça, no rosto e no ombro.

Essa violenta ação aconteceu quando os indígenas decidiram sair de uma área tradicional retomada, prevendo a violência iminente. Dezenas de pistoleiros armados com facões, armas de fogo, e pedaços de madeira atacaram os Gamela no momento em que deixavam o Território. Para se protegerem, muitas pessoas correram e se esconderam na mata.

Não mais suportando a violenta invasão ao seu Território, os indígenas intensificaram sua luta e decidiram por retomar seu Território sagrado. Todavia, em contrapartida, a empreitada criminosa dos que querem ver os indígenas extintos vem tomando força e ficando cada vez mais explícita. Denunciamos, neste contexto, que a ação criminosa e violenta ocorrida neste domingo foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, através de um texto no Whatsapp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas.

O governo do maranhão já havia sido avisado da situação conflituosa na região e do risco de acontecer um massacre, mas, ao que consta até o momento, nem a polícia havia sido deslocada até a área para tomar as medidas cabíveis. Indigna-nos os discursos de incitação ao ódio, racismo e a violência sistemática contra os povos indígenas, o que foi feito pelo deputado federal Aluisio Guimarães Mendes Filho (PTN/MA) ao conceder entrevista em rádio local após a retomada feita pelos Gamela no dia 28.

Preocupa-nos ainda o alto índice de violência contra os povos e comunidade tradicionais do Maranhão. Atualmente, há cerca de 360 conflitos no campo no estado, destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.

Denunciamos mais esta violência e a iminência de novos ataques!

Exigimos do governo do estado que faça a segurança da comunidade indígena que segue ameaçada!

Exigimos o reconhecimento imediato do Território indígena Gamela!

Enquanto houver violência aos filhos e as filhas desta terra, não descansaremos. Seguimos lutando!


Comissão Pastoral da Terra do Maranhão (CPT-MA)

1º de maio de 2017.

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